oceanos e desertos

Saturday, September 23, 2006

Sim


Procurei em todos os lugares onde pudesse te encontrar, sonhei contigo tantas vezes, me agoniei pela demora do reencontro, chorei, chorei muito, fui infeliz com quantos outros encontrei pelo caminho, com suas promessas tolas que não tinham entendimento pra cumprir... Passaram-se anos, e nem sinal da tua presença, até que parei de sofrer o que eu mesma me causava, aprendi, e quando olhei pra mim mesmo, pra dentro de mim, lá tu estavas...

Friday, September 15, 2006

O que me leva a escrever


O que me leva a escrever são cores
o que me leva a escrever são dores
amores, sentimentos, vazios
quase nunca flores
mais que tudo ardores, dissabores
temperos, cheiros e medos
segredos, catarses
vendavais e tormentas
e não raro remansos
e fadinhas rebrilhando nos olhinhos d'água
as vezes são falsos, disfarço
as vezes não estou
mas na maior parte das vezes inteira sou eu
inteira ou em cacos, mas sou
verte a minha alma em gotas pelo cinzel,
pela pena
vertem meus sonhos
e os gritos que congelam meu canto
derrama-se no papel como de um frasco
virado de nanquim
e com cera vermelha carimbo e te mando
sou eu... vê? me aceita, me lê
ou não me aceita
mas pelo menos deixa
uma palavra...

Quando te vejo


Quando te vejo

teus dedos me correm

quando te vejo

anseios e medos explodem

simples, tantos

meus beijos escolhem

lamber teus quebrantos

e ajeitar em teu peito

cabelos e sonhos...

Quando te vejo

nas palmas

sussurros

nos muros escuros

meu mundo sacode

Quando te vejo

brilha o meu futuro

e de tudo que é duro

ensinos recolhe...

Há momentos


Há momentos que por trás da catarse resta o pranto
e em calabouços e a sete chaves meu coração se esconde
durmo
ninguém escuta mi llanto
bates à porta
quem é
meu penar não responde ao canto
pena apenas
arrasta correntes seculares
e esquece a alegria do reencontro...

Thursday, September 14, 2006

Sei


Sei que a minha alma deveria ficar quieta,
sei que a minha boca não deveria falar nada,
mas são tantos os ventos que te levam e te trazem,
que já não posso aquietar-me
e o meu espírito grita, grita, grita,
o mais alto possível para que, quem sabe,
possas ouvir meu pranto
e o meu coração descompassado,
aos gritos também,
dizendo te amo, te amo...