oceanos e desertos

Friday, March 16, 2007

Ai...


O não saber de você me enlouquece

Esse ser mudo em você me alucina

Calo, não há ecos em teus longes

Refugio-me no teu apesar dos pesares

Louco sento pálido triste

Cabisbaixo e meditabundo

Que será da minha vida sem você flor

Quantos descaminhos nesse semi encontro

Se da tua presença e da tua voz tu dás tanto

Aos outros que não te querem como eu

Devo imaginar que é por raiva ou espanto

Que foges do meu canto

E desespero insólito

vivo entre dois mundos

O de respirar-te e o de me evitares

Monday, March 12, 2007

Urbano


Madrugada... passarada

A encher meus ouvidos de assobios

Quanta natureza

Quanta saciedade

Dos meus tímpanos vazios

Ai a vida urbana

Ai o óleo diesel

Ai suas fumaças

E esse prédio antigo

Contraste

Desastre

Morro de tédio ou de ausência

De ti, ó urbanidade

Dobra...


Ah esse espaço curvilíneo entre suas curvas

Em que o dobro se desdobra e me confunde

Em que o vento faz a curva e assobia

Fiu fiu

Você é linda como que...

Tece a trama e desconcerta

Trama o traço e me penetra

E o sorriso que é só festa...

Oh glória...

Saturday, March 10, 2007

Trem



Meus rumos desembestaram não sei pra onde
Corro pra teus braços
Corro pra teus longes
Não sei pra onde vou
Só sei que é distante
Minha solidão teu coração
Desmontes
Sonha minha amiga,
sonha meu amor
Sofra menos tanto
Sofra nunca não
Meu verso não aplaca
Minha dor é tua irmã
Que se faça minha a tua
E a tua seja vã
E se pego esse trem
Pro fim de tudo dar
O início seja um tudo
e o tudo acabar
Eu volto mas te levo
No desejo e no olhar
Chore não minha amiga
Chore não minha irmã
Se o bilhete for comprado
Tu me esperas amanhã...